Fake News: como a educação deve lidar com esse tema? Por Ademar Celedônio

Notícias falsas são o assunto do momento, também conhecidas pelo termo em inglês “fake news”. Para quem ainda não está por dentro do que são as fake news, trata-se de um fenômeno de disseminação de informações falsas ou distorcidas em grande escala, que atingem o mundo inteiro e são entendidas como verdade, afetando inclusive decisões políticas.

Observa-se nesse fenômeno que a emoção e as crenças com que o cidadão se identifica são fatores mais determinantes para que ele acredite em uma informação do que a objetividade da situação. Nos últimos anos, esse fenômeno ganhou tanta força que em 2016 o Dicionário de Oxford elegeu o termo “pós-verdade” como a palavra do ano, descrita da seguinte forma:

Pós-verdade: Relaciona-se ou refere-se circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos à emoção e à crença pessoal” (tradução livre)

E como nós, enquanto educadores e mentores, podemos impactar nossos alunos para que desenvolvam o hábito de filtrar e verificar as informações? Os jovens convivem naturalmente com essa grande quantidade de dados e desenvolver neles a capacidade de leitura criteriosa e autônoma é essencial.

Base Curricular para Ensino Médio, em discussão no Conselho Nacional de Educação, é uma possível ferramenta para enfrentar tal desafio. O documento prevê um campo de atuação social para contextualizar as práticas de linguagem, denominado Campo Jornalístico-Midiático. Esse campo vem sendo trabalhado desde o Ensino Fundamental, segundo as diretrizes já aprovadas, para que os jovens tenham autonomia e pensamento crítico, chegando ao Ensino Médio para ampliar as possibilidades de envolvimento nas práticas com informação e opinião.

Assim, eles não só desenvolverão um olhar crítico para as informações, como também se formarão enquanto cidadãos que conseguem refletir a realidade que os cerca para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos, de forma ética e respeitosa.

Entre as habilidades propostas pela Base, destaco duas extremamente atuais: a primeira é a habilidade de checagem de fatos noticiosos, comparando fontes e consultando ferramentas, de forma a combater as notícias falsas. Já a segunda refere-se diretamente ao fenômeno da pós-verdade, discutindo questões e mecanismos de disseminação de notícias falsas e avaliando as causas e as consequências desse fenômeno.

Hoje, a maior parte dos jovens consome informações apenas nas redes sociais, assim práticas relacionadas a essas mídias também devem ser tematizadas. A Base traz habilidades nesse sentido, com o objetivo de estimular o uso mais consciente das redes, como “Atuar de forma fundamentada, ética e crítica na produção e no compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião, memes, gifs, remixes variados etc. em redes sociais ou outros ambientes digitais. ”

Acredito que assim, com o estímulo de educadores, pais, e com o reforço do documento normativo que define as aprendizagens essenciais, a Base Nacional Comum Curricular, teremos um uso cada vez mais consciente das redes e conseguiremos formar cidadãos mais preparados para o consumo de informações em rede.

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é Diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS Plataforma de Educação, Professor de Matemática e autor de material didático.

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