Ensino híbrido, uma tendência do século 21

Com a pandemia, a mescla de aulas virtuais e on-line ganha mais força e espaço na comunidade escolar, que aumenta o distanciamento social

Adaptação é a palavra de ordem na Educação mundial. A pandemia causada pelo novo coronavírus fez com que as pessoas tivessem que se adaptar a algo já existente: a tecnologia. E disso, tendências já previstas, ou que já estavam sendo colocadas em prática, passaram a ganhar mais corpo e ter ainda mais espaço no dia a dia.

Com meses de paralisação, com incertezas sobre a manutenção de aprendizado e, também, com problemas financeiros, as instituições tiveram que dar um salto para o futuro. Ou para um presente ainda não muito explorado.

O ensino híbrido (blended learning) é uma modalidade que combina aulas presenciais e on-line, integrando a tecnologia na Educação. Segundo a diretora técnica do Instituto Crescer, doutora em Educação pela USP (Universidade de São Paulo) e colunista do portal Exame, Dra. Luciana Allan, o uso das ferramentas tecnológicas está sendo ajustado para a nossa realidade atual.

“O ensino híbrido, antes da pandemia, era uma metodologia ativa que estimulava o melhor aproveitamento do que o presencial tem a nos oferecer. Assim, também, como o virtual. A apresentação de conceitos e revisão de conteúdos já eram feitos com apoio de atividades e recursos digitais, deixando o momento presencial para mediar debates, grupos de trabalho e atividades maker. No contexto atual, somente estamos disponibilizando a interação com os alunos em espaços virtuais e aprendendo como personalizá-los para atender diferentes estilos e momentos de aprendizagem dos estudantes.

No retorno às aulas, o ensino híbrido irá ajudar a atender estudantes que estarão presencialmente e outros que ficarão online, podendo seguir as mesmas premissas estabelecidas antes da pandemia”, comenta.

Dentro deste cenário, a Dra. Luciana esclarece que a cultura maker, conceituada no faça você mesmo, em que qualquer pessoa com conhecimento e as ferramentas certas, pode criar suas próprias soluções para problemas do dia-a-dia, é a chave para que os alunos não percam o foco fazendo o ensino híbrido ser mais produtivo.

“Eu não pensaria só no ensino híbrido, mas em qualquer processo educacional que acontece em espaços virtuais. Para que tenha foco, a intencionalidade educacional tem que ser clara para os estudantes, estar relacionada à problemas do mundo real, fazer sentido para os estudantes e trazer para eles a oportunidade de se envolverem em desafios, fazerem pesquisas, trabalharem em equipe com prazo determinado para tarefa, terem a oportunidade de criar diferentes tipos de materiais para comunicar ideias e, por fim, terem muito claro como serão avaliados e qual a relação desta avaliação com os objetivos de aprendizagem. Desta forma, não tenha dúvida, que os estudantes se envolverão”, orienta.

Escolas e o ensino híbrido

O Colégio Arbos, em Santo André, é uma das instituições que já utilizam o ensino híbrido como parte do processo educacional e vai de encontro ao que a Dra. Luciana Allan propõe. “Utilizamos o ensino híbrido há algum tempo, pois acreditamos que é muito mais do que unir aulas presenciais e remotas. Nossa proposta metodológica pressupõe um professor mediador e um aluno protagonista, buscando desenvolver a sua autonomia para que possa trabalhar em grupos e compartilhar conhecimentos. Para isso, o professor utiliza as tecnologias digitais de forma integrada ao currículo escolar e não como uma maneira de substituir recursos, tornando-as aliadas nesse processo. Acreditamos que os dois ambientes de aprendizagem são complementares”, diz a diretora Luciana de Vitta.

Ela ainda fala sobre os benefícios desta mescla para estudantes e educadores. “O ensino híbrido impacta na ação do professor em situações de ensino e na ação dos alunos em situações de aprendizagem, uma vez que o papel desempenhado pelo professor e pelos alunos sofre alterações em relação à proposta de ensino convencional. As configurações das salas de aula e das próprias aulas favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com a tecnologia. Os grupos de trabalho oferecem a troca entre os pares com diferentes habilidades e a transferência do conhecimento se torna mais fluida e participativa. A principal vantagem é a personalização das ações de ensino e aprendizagem, proporcionando uma experiência integrada aos alunos de forma a respeitar ritmo, espaço e tempo, oferecendo oportunidades para irem além do proposto”, revela.

O diretor executivo de gestão da Escola Presbiteriana de Cuiabá, Professor Juseli Nunes da Silva, contou que, em sua instituição, o ensino híbrido está sendo utilizado e que, nos dias de hoje, a menor presença de alunos é a principal vantagem. “Estamos oferecendo aulas on-line e gravadas. Sabemos que os relacionamentos presenciais não necessários para o desenvolvimento do cidadão, mas o ensino virtual não é 100% efetivo, por isso um complementa o outro. Contudo, a principal benefício disso tudo atualmente é o menor número de alunos na escola”, finaliza.

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